Fontes de Incertezas de Latour – Reagregando o Social

Padrão

Resumo

Reagregando o Social – Bruno Latour

Retomando as fontes de incerteza, começando com a primeira delas, Latour diz que não há grupos, apenas formação de grupos.

Relacionar-se com um grupo é um processo sem fim constituído por laços incertos, frágeis, controvertidos e mutáveis. Se seguíssemos apenas as pistas do jornais, por exemplo, o principal postulado da sociologia seria que a qualquer momento um ator pode ser enquadrado em um grupo ou mais. No entanto, ao analisar os teóricos sociais, a questão mais importante para ser descobrir com qual grupo é preferível iniciar uma pesquisa social.

  •  Enquanto para os sociólogos o primeiro problema parece ser determinar um grupo privilegiado, nossa experiência mais comum, se lhe formos fieis, ensina-nos que existem inúmeras formações de grupos e alistamentos em grupos contraditórios – atividade para a qual os cientistas sociais, inquestionavelmente contribuem de maneira decisiva. Portanto ou seguimos os teóricos sociais e iniciamos a jornada determinando de início que tipo de grupo e nível de análise iremos enfatizar, ou adotamos os procedimentos dos atores e saímos pelo mundo rastreando as pistas deixadas pelas atividades deles na formação e desmantelamento de grupos. A primeira fonte de incerteza com a qual devemos aprender é que não há grupo relevante ao qual possa ser atribuído o papel de compor agregados sociais.

 

  • Neste ponto, o autor diferencia os meios de se produzir o social, que se dá por duas formas: por intermediários e mediadores. Os intermediários são aqueles que transportam significado ou força sem transformá-lo, definir o que entra já define o que sai. Um intermediário pode ser considerado não apenas como uma caixa-preta mas uma caixa preta que funciona com uma unidade, embora feita de várias partes. Os mediadores, por outro lado, não podem ser contados como apenas um, eles podem valer por um, por nenhuma, por várias ou infinidade. O que entra neles nunca define exatamente o que sai, sua especificidade precisa ser levada em conta todas as vezes. Eles transformam, traduzem, distorcem e modificam o significado ou os elementos que supostamente veiculam.

 

  • Os sociólogos do social acreditam em um tipo de agregado social: poucos mediadores e muitos intermediários, para a ANT não há um tipo preferível de agregados sociais, existem incontáveis mediadores e, quando estes são transformados em fieis intermediários, não temos aí a regra, mas uma exceção rara que deve ser explicada por algum trabalho extra- que mobiliza ainda mais mediadores.

  • A segunda fonte de incerteza diz que toda a ação é assumida, e refere-se à natureza heterogênea dos ingredientes que formam os laços sociais, ou seja, os atores. Neste segundo ponto, Latour destaca a ação na rede como algo não transparente, ela é opaca e visível, os seja, deve ser encarada como um nó, uma ligadura, um conglomerado de muitos e surpreendentes conjuntos de funções que só podem ser desemaranhados aos poucos. O autor diz que a ação é assumida, mas é assumida por outros, ela deve permanecer como surpresa, mediação, acontecimentos. Devemos começar, segundo ele, pelas incertezas e controvérsias em torno de quem e o que está agindo quando nós entramos em ação, e não há, nenhuma maneira de decidir se essa fonte de incerteza reside no analista ou no ator.

 

  • O que nos transforma na mesma coisa ao mesmo tempo? Na festinha da escola perguntamo-nos porque todos os pais se parecem, as mesmas roupas, mesmas joias, mesma maneira de articular as palavras, mesma ambições para os filhos.

 

  •  “O ator não é a fonte de um ato e sim um alvo móvel de um amplo conjunto de entidades que enxameiam em sua direção”. Empregar a palavra ator significa que jamais fica claro quem ou o que está atuando quando as pessoas atuam, pois o ator, no palco, nunca está sozinho ao atuar. Desta forma, a ação na rede é assumida pelos atores- agentes nela. A rede só existe com todas estas entidades se debatendo em controvérsias e ações. São tão heterogêneas quanto os repertórios utilizados para relatar suas ações.

 

  • Crítica a sociologia do social relacionada a segunda fonte de incerteza: a ciência social, tem por característica, deixar de lado o que os atores em ação nos dizem e caímos na cilada de traduzir ou substituir as expressões dos informantes para os vocabulários especializados das forças sociais. Os investigados acabam por decidir como os atores devem ser levados à ação ao invés de detectar os diferentes mundos que os próprios atores elaboram uns para os outros. A dolorosa lição que temos de aprender é justamente o oposto da que vem sendo ensinada ao mundo inteiro como o nome de explicação social, ou seja, não devemos substituir uma expressão precisa por aquilo que se supõe oculto nela. Se decidirmos aceitar essa segunda fonte de incerteza, a sociologia se tornará a disciplina que acata o deslocamento inerente a induzir alguém a fazer alguma coisa.

  • A terceira fonte de incerteza nos diz que os objetos também agem. Aqui, o autor fala das entidades heterogêneas que remontam a humanos e não humanos, conectados no que o senso comum chama de vínculo social. Para a ANT a palavra “social”, diferente da concepção tradicional que a domina como algo que tem um vínculo social, um domínio específico, é para a sociologia das associações o nome de um movimento, um deslocamento, uma transformação, uma translação e um registro. Ou seja, para a ANT o social é o nome de um tipo de associação momentânea caraterizada pelo modo como se aglutina assumindo novas formas. É o exemplo da gôndola do supermercado, que não é em si denominada como social, mas as várias modificações feitas no seu lugar para exibir os produtos. A ação social não é apenas assumida por estranhos como se transfere ou é delegada a diferentes tipos de atores capazes de leva-la adiante graças a outros modos de agir, a outros tipos de forças.

 

  • Latour explica que se insistimos na decisão de que é a partir das controvérsias sobre os atores que vemos o social se formar, qualquer coisa que modifique uma situação fazendo a diferença, e um ator, ou caso ainda não tenha uma figuração, um actante (uma panela que ferva a agua é um actante, um faca que corte a carne também). Importante lembrar que a ANT não alega, sem base, que os objetos fazem coisas no lugar dos atores humanos, diz apenas que nenhuma ciência do social pode existir se a questão de o quê e quem participa da ação não for logo de início plenamente explorada.

 

  •   Latour critica, mais uma vez, os sociólogos do social ao afirmar que, para eles, os objetos existem, naturalmente, mas não são alvo de pensamento social. “Parece não haver meio, veículo ou porta de entrada para inseri-los no tecido formado pelos outros laços sociais. Quanto mais pensadores radicais insistem em atrair a atenção para os humanos nas margens e na periferia, menos citam os objetos” (LATOUR, 2012, p.111). No entanto, uma vez libertos do silêncio, os objetos começam a balbuciar. Partem então em todas as direções, sacudindo os atores humanos para despertá-los.

 

  • Mas Latour faz um adendo: para serem levados em conta, os objetos precisam ingressar nos relatos. Quando não deixam traços, não fornecem nenhuma informação ao observador e não produzem efeito visível em outros agentes, permanecem em silêncio e deixam de ser atores: não são mais levados em conta. Há também outra questão. Os objetos, pela própria natureza de seus laços com humanos, logo deixam de ser mediadores para se transformarem em intermediários – “uma vez construído, o muro de tijolos não pronuncia uma palavra” (LATOUR, 2012, p.118).

 

  • Já que os objetos, por mais importantes que sejam, tendem a recuar depressa aos bastidores, é preciso adotar certos truques para forçá-los a falar. Por ora, neste trabalho, apenas citaremos brevemente as quatro ocasiões nas quais Latour acredita ser mais fácil visualizar o objeto em ação: 1- no estudo de inovações e controvérsias, pois nessas situações os objetos podem ser mantidos por mais tempo como mediadores visíveis antes de se tornarem intermediários invisíveis; 2- ao surgir, no curso normal da ação, elementos estranhos, exóticos, arcaicos ou misteriosos; 3- em acidentes, rupturas e golpes, pois nessas ocasiões intermediários completamente silenciosos se tornam mediadores; 4- sempre é possível trazer os objetos dos bastidores utilizando arquivos, documentos, lembranças, etc.

 

  •  Aqui, também é importante pontuar a substituição que Latour faz de sociedade por coletivo. Sociedade será apenas o conjunto de entidades já reunidas que, segundo os sociólogos do social, foram feitas de material social. Coletivo, por outro lado, designará o projeto de juntar novas entidades ainda não reunidas e que, por esse motivo, obviamente não são feitas de material social.

 

  • A quarta fonte de incerteza fala sobre o embate entre a questão de fato e a questão de interesse, e traz à baila a palavra construção. Essa fonte nos levará a origem da sociologia das associações. A ANT tem uma origem tão sem cuidados que foi preciso um quarto de século para retificá-la e ajustá-la àquilo que constituía seu exato significado. Tudo começou com o uso da expressão “construção social de fatos científicos”. Ao considerar a dificuldade do uso dessa palavra “construção”, Latour propõe deixar claro a razão pela qual ele dá tanta importância para o subcampo dos estudos de ciência. Dizer que uma coisa é construída sempre significou que ela não é um mistério surgido do nada ou que tem uma origem mais visível, humilde e interessante. A grande vantagem de visitar locais de construção, seja para ciência como para todos os locais de construção, sempre significou um ponto de observação entre humanos e não humanos. Assim, usar o termo construção definiu-se como a descrição daquilo que significa perdurar, associado a sua robustez, qualidade, estilo e durabilidade.

 

  • Ficou obvio para a ANT, os primeiros estudantes da ciência, que um local onde essa definição de construção deveria ser aplicada seriam os laboratórios, institutos de pesquisa, entre outros. Era a ciência oferecendo casos mais extremos de completa artificialidade e objetividade caminhando em paralelo. Foi por isso que usamos a expressão construção de fatos para descrever o fenômeno da artificialidade e realidade caminhando ao mesmo passo. Mas a excitação declinou quando percebeu-se que para as ciências sociais como para as naturais, a palavra construção significava algo inteiramente distinto do senso comum, como algo não verdadeiro, falseado, inventado. Pareciam nos submeter a ideia de que ou uma coisa era real e não construída, ou era construída e artificial, ideada, falsa. A ideia insultava tudo que a ANT estava testemunhando em laboratórios: ser inventado e objetivo se equivaliam. Fatos era fatos e exatos porque eram fabricados, significando que emergiam de situações artificiais.

 

  • Se quisessem continuar usando a palavra construção teriam que lutar contra essas duas frentes. Neste ponto, talvez teria sido melhor, afirma Latour, abandonar a palavra construção, mas ela focalizava a cena entre os dois atores (humanos e não humanos) como toda a ideia de uma nova teoria social que a ANT estava postulando, que consistia em renovar as direções do que era um ator social e um fato, por isso, não era possível perder de vista esses locais de construção. Assim, inseriram a palavra social a construtivismo. Quando um fato é construído, a ANT quer dizer simplesmente que ela explica a sólida realidade objetiva mobilizando entidades cuja reunião poderia falhar, construtivismo social, por outro lado, que substituímos aquilo de que essa realidade é feita por algum outro material – o social – de que ele realmente é feito.

 

  • Mas uma vez que para a ANT era obvio que a construção social significava prestar atenção renovada ao número de realidade heterogêneas que entram na fabricação de estado de coisas, foram necessários anos para que se reagisse as teorias com as quais pareciam estar associados.

 

  • Aos poucos foi ficando claro para a ANT que havia algo falho não só na filosofia da ciência padrão mas nas teorias sociais padrões usadas para explicar outros domínios que não o da ciência. O que a ANT estava tentando modificar era o uso de todo o repertório crítico abandonando ao mesmo tempo o uso da Natureza e o uso da Sociedade, que haviam sido inventadas para revelar por trás dos fenômenos sociais aquilo que estava efetivamente ocorrendo. Isso significava entretanto uma total reinterpretação do experimento que a ANT realizou no início do trabalho, quando tentou explicar sociologicamente a produção da ciência.

 

  • Latour busca mostrar como a ANT emergiu da sociologia da ciência ao tirar conclusões extremas não só para ciência mas para a teoria social. A ANT não é o ramo da ciência social que conseguiu estender os seus métodos a atividade cientifica e depois ao resto da sociedade, mas sim o ramo composto por aqueles que haviam ficado totalmente abalados quando tentavam dar uma explicação social dos fatos intricados da ciência. No domínio da ciência a teoria do social falhou tanto que se pode postular que ela falhou em qualquer outro lugar, tanto nas ciências sociais como nas naturais.

 

  • O que é central nessa incerteza é que se realmente é chocante a definição de associação e ao significado que confere ao social, mas também o lugar incomum reservado aos chamados objetos naturais. Se ambos não forem postos de lado ao mesmo tempo, será em vao que termos efetuado o trabalho de campo: por mais conexões novas que estabelecemos algumas agencia receberão o rótulo de sociais e outras de naturais. Para possibilitar isso temos de libertar as questões de fato da sua redução a natureza exatamente como devemos libertar os objetos e coisas de sua explicação da sociedade. Portanto é aqui que a quarta fonte deve nos ajudar, perceberemos que as questões de fato não descrevem que tipos de agencias estão povoando o mundo melhor do que a palavra social, simbólico e discursivo descrevem o que é um ator humano. Precisamos ter mente aberta para a forma na qual os antigos objetos da natureza poderiam apresentar-se nas novas associações que estamos seguindo. Ou seja, a ANT quer oferecer aos objetos naturais a ocasião para escaparem da cela estreita dada as questões de fato pelo primeiro empirismo. A discussão melhora quando se introduzem questões de interesse, agencia reais, objetivas, atípicas, interessantes que são tomadas não exatamente como objetos mas como assembleias. Pois é exatamente sobre isso que a quarta incerteza quer prosperar: o mapeamento das controvérsias científicas sobre questões de interesse deve permitir-nos renovar de cima a baixo a própria cena do empirismo e portanto a divisão entre natural e social. Um mundo natural feito de questões de fato não parece exatamente a mesma coisa que um mundo constituído por questões de interesse, e por isso não pode ser usado com tanta facilidade como imagem da ordem social simbólica humana intencional.

 

  • As questões de fato podem permanecer em silencio mas não nos faltam dados sobre as questões de interesse porque hoje os seus traços são encontrados em toda parte. Ao estabelecer o relato ANT devemos estar seguros de que quando agencias são introduzidas elas nunca se apresentam como questões de fato mas como questões de interesse, seu modo de fabricação e seus mecanismos estabilizadores claramente visíveis.

 

  • Ao propor essa questão de interesse, Latour se apoia em um “segundo empirismo” que não se basearia em fatos mas em matérias de interesse.Para entender a ciência como parte da rede que constitui a sociedade, não faz sentido olhar para os fatos já instituídos, e não resta outra coisa a não ser aceitá-los. Interesse aqui deve ser entendido como aquilo que está entre os atores e seus objetivos, criando assim uma tensão que fará os atores selecionaram apenas aquilo que, em sua opinião, ajude a alcançar esses objetivos entre muitas possibilidades existentes.

 

  • A quinta a última fonte de incerteza é sobre escrever relatos de risco. Aqui, o que Latour propõe é trazer para o primeiro plano o próprio ato de compor relatos. O próprio texto se torna um mediador. Ele busca uma objetividade, mas não a do senso comum, no qual tudo é neutro, frio, mas a objetividade como algo pulsante que acompanha os pormenores de um assunto interessante, vivo e controverso. Nesse ponto, Latour convoca todas as entidades mobilizadas na rede, humanas e não humanos. Ele explica que o texto deve funcionar como o laboratório do cientista social, exige perícia e habilidade na escrita para descrever com objetividade as conexões em seus experimentos-estudos.

 

  • O autor diz que trazer os relatos ao primeiro plano talvez irrite aqueles que alegam conhecer a composição do social. Eles preferem ser como os cientistas exatos: tentam entender a existência de determinado fenômeno, recusando-se a considerar relatos escritos e confiando apenas no contato direto com a coisa à mão graças ao meio transparente de um idioma técnico claro, sem ambiguidades.

 

  • Para Latour, uma boa sociologia tem de ser bem escrita: senão o social não aparece em nada. E como a ANT procura renovar o significado de ciência e social, precisa renovar também o que existe num relato objetivo. O autor vai usar a expressão relato textual para significar um texto em relação ao qual o problema da exatidão e da veracidade não foi posto de lado. A crítica do autor direciona-se ao relato que aceita ser apenas uma história, para ele, esse é um tipo de relato que perdeu sua principal fonte de incerteza: já não faz mais questão de ser acurado, fiel, interessante e objetivo.

 

  • Mas o que vem a ser então um bom relato para Latour? Ele define um bom relato como aquele que tece uma rede: uma série de ações em que cada participante é tratado como um mediador completo.Um bom relato ANT é uma narrativa, uma descrição ou uma proposição na qual todos os atores fazem alguma coisa e não ficam apenas observando. Em vez de simplesmente transportarem efeitos sem transformá-los, cada um dos pontos do texto pode ser tornar uma encruzilhada, um evento ou a origem de uma nova translação. Tão logo sejam tratados, não como intermediários, mas como mediadores, os atores tornam visível ao leitor o movimento social. O texto, em nossa definição de ciência social, versa portanto sobre quanto os atores o escritor consegue encarar como mediadores e sobre até que ponto logra realizar o social. O bom texto tece rede de atores quando permite ao escritor estabelecer uma série de relações definidas como outras tantas translações. Um texto ruim, um mau relato textual, nele, somente um punhado de atores serão apontados como causa dos demais. Lembremo-nos: um ator que não faz a diferença não é um ator.

 

  • Rede é uma expressão para avaliar quanta energia, movimento e especificidade nossos próprios relatos conseguem incluir, ela  não é aquilo que está representado no texto, mas aquilo que prepara o texto para substituir os atores como mediadores.

 

  •  Latour traça um método de uso de cadernos para ir adiante e ser mais eficaz ao abordar essa quinta fonte de incerteza. O primeiro deles deve ser um diário da pesquisa. O segundo caderno deve ser mantido para reunir informações de tal modo que se torne possível, simultaneamente, registrar todos os itens em ordem cronológica e enquadrá-los e categorias que depois se transformarão em arquivos e subarquivos mais precisos. O terceiro caderno deve estar sempre à mão para registros ad libitum. O quarto caderno deve ser mantido cuidadosamente para registrar os efeitos do relato escritos nos atores cujo mundo tenha sido desdobrado ou unificado.

 

  • Se o social circula e é visível apenas quando brilha através das concatenações de mediadores, isso é o que tem de ser reproduzido, cultivado, deduzido e comunicado por meio de nossos relatos textuais. A tarefa consiste em desdobrar os atores como rede de mediações – daí o hífen na palavra composta ator-rede. Desdobrar significa simplesmente que no relato conclusivo da pesquisa, o número de atores precisa ser aumentado, o leque de agências que levam os atores a agir, expandido, a quantidade de objetos empenhados em estabilizar grupos e agências, multiplicada; e as controvérsias em torno de questões de interesse, mapeadas. Um bom relato realizará o social no mesmo sentido em que alguns partícipes da ação – pela controvertida mediação do autor – serão convocados para poderem ser reunidos.

 

Bruno Latour édownload filósofo e sociólogo das ciência francesas, um dos fundadores dos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia (ESCT), ou social studies in Science. Sua principal contribuição teórica, ao lado de autores como Michel Callon e John Law, é o desenvolvimento da Teoria Ator-Rede.

Anúncios

Narrativas controversas: as tramas emergentes da ciberguerra do Wikileaks

Padrão

Este é sem dúvida um dos melhores projetos que realizei nesses anos de trabalho e estudo. Mais do que um trabalho de conclusão de curso, esse material levou muito tempo para ser produzido, além da dedicação like a baby, com as inúmeras babás em volta. A cada novo passo e descoberta no Laboratório de Imagem e Cibecultura (Labic), novos capítulos iam sendo adicionados ao gran finale. Ao longo da produção do trabalho, intensificou-se o domínio da ferramenta Gephi – muito importante para a análise de rede – que foi o QUÊ de diferente apresentado no TCC.

Estatística de Modularidade - Estuda a formação de comunidades em torno de um tema

Aqui, em algumas tantas páginas, pude deixar gravado no papel toda a história da organização Wikileaks e mais ainda, o passo a passo para a extração, mineração e visualização dos dados no Gephi. O TCC explica de forma profunda uma narrativa dos meios de comunicação online, para ser mais precisa, as redes sociais, com seus inúmeros perfis e dispositivos de mídia comunitária, que tornam as ferramentas cada vez mais acessíveis e disponíveis a todos.

Não existe bicho de sete cabeças para se fazer essa análise, mas exige muito foco e atenção. Como afirma Latour, o segredo da cartografia das controvérsias é “observar” e “descrever” o que se vê. Dessa forma, adentramos em um mar de debates e perfis, prontos para atuarem em rede de forma coordenada, um todo, mas um todo fragmentado, cheio de figuras singulares, que funcionam segundo a lógica do “enxame”, tão bem definida por Hardt e Negri.

Pra você, fica o “see” and “enjoy” este trabalho.

Download TCC Narrativas Controversas