Uma introdução a Teoria Ator-Rede – Bruno Latour

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Resumo

Bruno Latour – Reagregando o Social: uma introdução a Teoria Ator-Rede (2012)

  1. Em obras anteriores a este livro que é o Reagregando o Social,  Latour procura pontuar três dos principais elementos críticos na produção do conhecimento a partir da modernidade: o construcionismo, a naturalização e a socialização. Nesta publicação ele propõe recolocar e retraçar os estudos relacionados a socialização.
  1. Nas primeiras páginas ele busca retomar as expressões “Social” e “Explicações Sociais”, como objetos de incerteza. Ou seja, ele explica porquê o social não deve ser construído como uma espécie de material ou domínio a assumir a tarefa de fornecer uma “Explicação Social” de algum outro estado das coisas. Eles nos apresenta a necessidade de reformular a noção de social.
  1. A crítica mais profunda nessa obra direciona-se a sociologia, ou ciência do social. Latour critica a característica que esta sempre adotou, diluindo o social por toda parte e em nenhuma em particular. Ele explica que duas diferentes abordagens foram usadas para responder diversas perguntas sobre o social: 1- a primeira delas postula um domínio no qual o social pode ser usado como um tipo especial de causalidade para explicar os aspectos residuais que escapam a outros domínios. É o social esclarecendo o social. Falar que tudo se explica por uma dimensão social, prática social, tornou-se senso comum. 2- uma segunda abordagem, explica que não há nada de específico na ordem social e que não existe nenhuma esfera distinta da realidade que se possa atribuir o rótulo de social ou sociedade. Aqui, antes de ser um nome onde tudo se enquadra, o social deve ser visto como um dos elementos de ligações que circulam por estreitos canais. É aqui que entra a Teoria Ator-Rede e a sociologia das associações de Latour.
  1. Com a Teoria Ator-Rede, Latour busca redefinir a sociologia não como ciência do social, mas como uma busca de associações entre elementos heterogêneos. A proposta é de reagregar o social perdido, os elementos heterogêneos que precisam ser reunidos sob uma dada circunstância. É um movimento constante de reassociação e reagregação. A crítica de Latour é de que a ciência social imaginou a sociologia limitada a um domínio específico, ao passo que os sociólogos devem ir atrás dessas novas associações heterogêneas.
  1. A Teoria-Ator rede formula que os atores desenvolvam a capacidade de elaborar suas próprias teorias sobre a constituição do social. Para cumprir o slogan da ANT, é preciso seguir os próprios atores, tentar entender suas inovações a fim de descobrir o que a existência coletiva se tornou em suas mãos.
  1. Importante destacar que o autor explica que a sociologia do social trabalhou muito bem quando se referiu a algo que já foi agregado, mas ela não se encaixa quando o problema é reunir novamente os participantes naquilo que não são um tipo de esfera social.
  1. Após deixar clara sua crítica ao social, ele divide o livro em três partes: 1- mostra porque não devemos limitar os tipos de seres existentes no mundo social. 2- mostra como é possível rastrear as conexões sociais acompanhando o trabalho feito para estabilizar as controvérsias. 3- conclui revelando porque a tarefa de reagregar o coletivo se justifica plenamente.
  1. Para desdobrar as controvérsias sobre o mundo social, Latour se debruça sobre cinco grandes incertezas, ou seja, as principais instituições das ciências sociais. 1- diz respeito a natureza dos grupos, há várias formas de se atribuir identidades aos atores, 2- sobre a natureza das ações, em cada curso de ação, toda uma variedade de agente parece imiscuir-se e deslocar os objetivos originais. 3- refere-se a natureza dos objetos, o tipo de agências que participam das interações. 4- sobre a natureza dos fatos, os vínculos das ciências naturais como o restante da sociedade parece ser constantemente fonte de controvérsias. 5- refere-se ao tipo de estudo realizado sob o rótulo de ciência social, pois nunca fica claro em que sentido exato se pode dizer que as ciências sociais são empíricas.
  1. A tarefa de definir e ordenar o social, segundo o autor, deve ser deixada aos próprios atores e não analista. “Não vamos tentar disciplinar vocês, deixaremos que se atenham a seus próprios mundos e só então pediremos sua explicação sobre o modo como os estabeleceram”. Latour afirma que os sociólogos do social parecem pairar como anjos, transportando poder e conexões quase imaterialmente, enquanto o estudioso da ANT tem de arrastar-se como uma formiga, carregando seu pesado equipamento para estabelecer até o mais insignificante dos vínculos.

Bruno Latour édownload filósofo e sociólogo das ciência francesas, um dos fundadores dos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia (ESCT), ou social studies in Science. Sua principal contribuição teórica, ao lado de autores como Michel Callon e John Law, é o desenvolvimento da Teoria Ator-Rede.