Sobre governamentalidade – Michel Foucault

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Resenha

Aula 8 de fevereiro de Michel Foucault – Segurança, Território e População

Sobre governamentalidade

– Foucault usa esse conceito para abordar o problema do Estado e da população.

– Por que abordar o Estado e a população a partir dessa noção de governamentalidade?

– O objetivo de Foucault é passar por fora da instituição para substituí-la pelo ponto de vista global da tecnologia do poder. Um método que passa por trás da instituição a fim de encontrar nela uma tecnologia do poder.

– Em segundo lugar, a segunda passagem ao exterior seria por função, ou seja, substituir o ponto de vista interno da função pelo externo de estratégias e táticas.

– A terceira passagem ao exterior é em relação ao objeto. De tentar compreender o movimento pelo qual se constituía, através de certas tecnologias, um campo de verdade com objetos do saber. (Aqui seria o caso de trocar o objeto pela coisa. A loucura é uma coisa, mas não quer dizer que ela exista).

– Ou seja, o ponto de vista adotado nestes três métodos buscava destacar as relações de poder das instituições, a fim de analisá-las sob o prisma das tecnologias, destacá-las também da função, para retomá-las numa análise estratégica e destacá-las do privilégio e objeto, a fim de procurar ressituá-las do ponto de vista da constituição dos campos, domínios e objetos de saber.

– A palavra governar abriga significados diversos, desde o início do século XII, XIV e XV. Antes de adquirir seu sentido político a partir do século XV, governar abrangia um vasto domínio semântico, que refere-se, sobretudo, ao controle que se pode exercer sobre si e seu corpo, sobre os outros. Refere-se a um comércio, a um processo circular ou de troca.

– Importante lembrar que em todos os sentidos quem é governado são sempre as pessoas, homens, indivíduos e coletividade. Os homens é que são governador, não a cidade.

– Ideia de um governo dos homens é uma ideia que deve ser buscada no Oriente: sob a forma de um poder pastoral e depois sob a forma de direção da consciência, das almas.

– O pastorado é um tipo de relação fundamental entre Deus e os homens, na qual o rei participa dessa estrutura estando entre o Deus e os homens.

– Hebreus: Relação pastoral se desenvolveu e intensificou. Esta relação do pastorado com hebreus é super religiosa. Deus e povo é como o pastor e seu rebanho.

– Nos Gregos, nunca será encontrada a ideia de deuses que conduzem o homem como pastor e seu rebanho.

– Esse poder do pastor não se exerce sob um território, é um poder que se exerce sobre um rebanho, mais exatamente sobre o rebanho em seu deslocamento, no momento em que o faz ir de um ponto a outro.

– O poder do pastor se exerce sobre a multiplicidade em movimento.

– Deus grego: territorializante, tem seu lugar privilegiado, sua cidade, seu tempo.

– Deus hebraico: Deus que caminha, que se desloca, que erra. Nunca sua presença é mais intensa do que quando o povo se desloca, se movimenta, deixa as cidades. Já o Deus grego aparece na muralha para defender sua cidade.

– O poder pastoral é definido por fazer o bem, este é o objetivo essencial para a salvação do rebanho. O pastor é aquele que zela, cuida, está a serviço do rebanho.

– Poder pastoral é individualizante, é verdade que ele dirige por todo rebanho, mas só dirige bem na medida que não haja uma ovelha que possa lhe escapar.

– Paradoxo do pastor: sacrifício de um pelo todo, de todo por um, que vai estar no cerne da problemática cristã do pastorado.

– Ou seja, a ideia de poder pastoral é a ideia de um poder que se exerce mais sobre uma multiplicidade do que um território. É um poder que guia para um objetivo e serve de intermediário rumo a esse objetivo. É um poder que visa ao mesmo tempo todos e cada um em sua paradoxal existência.

 

Foucault5

Michel Foucault foi um grande filósofo e professor do Collège de France, onde desenvolveu todo o seu trabalho em torno da arqueologia do saber filosófico, da experiência literária e da análise do discurso. Além dos estudos sobre a governamentalidade e as práticas de subjetivação.

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