A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica – Walter Benjamin

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Pessoal, aqui listo alguns pontos importantes sobre a “A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica”, de Walter Benjamin. Um ensaio que conta a história da tese das tendências evolutivas no campo da arte e nas condições produtivas atuais da época.

  1. A obra de arte sempre foi reprodutível pelo homem.
  2. O novo é o processo de reprodutibilidade técnica
  3. Reprodução técnica corresponde à cópia e reprodução do artista realizado pelas máquinas, que substituem o trabalho minucioso do artista, pela agilidade e rapidez das máquinas.
  4. Xilografura, na Idade Média, é pioneiro na técnica de reprodução do desenho.
  5.  Em seguida, vem o processo de Litografia, no séc. XIX.
  6.   Primeiro a xilogravura, depois a impressão, a litografia, a fotografia, e assim por diante. Isso proporcionou uma entrada da arte no mercado, alterando todo o pensamento que se tinha a respeito da mesma. A arte passou a ser feita para as massas.
  7.   “Aqui e agora da obra de arte”= Aura
  8.  Aura? Faz com que o objeto seja sempre reconhecido como igual e autêntico.
  9. Para Benjamin as obras originais são irreprodutíveis.
  10. A técnica de reprodução destaca do domínio da tradição o objeto produzido.
  11. Reprodução substitui a aura, existência única da obra, por uma existência serial.
  12. Cinema: agente mais representativo dessa reprodutibilidade técnica.
  13. Papel da aura na obra de arte = Espécie de Magia (que surpreende e chama o observador para atentar quanto às particularidades de cada objeto).
  14. Na sociedade tomada pela indústria cultural, a obra de arte perde sua função mágica, aura e individualidade. Ela é substituída pelo consumo em massa e reprodutibilidade. Um exemplo de arte feita sob a reprodutibilidade são as produzidas pelo artista Andy Warhol.
  15. A obra de arte autêntica tem um fundamento teológico.
  16. Antigas obras de arte: reconhecidas por rituais de culto (mágico ou religioso)
  17. Modo de ser aurático não se destacava de sua função ritual. O que isso quer dizer? Que o valor único da obra de arte sempre tem um fundamento teológico, por mais remoto que seja. Ele pode ser reconhecido, como culto do Belo, por exemplo.
  18. Com a fotografia (primeira técnica de reprodução verdadeiramente revolucionária). Tem-se a crise da função única da obra de arte.
  19. Como resposta: surge a teologia negativa da arte: rejeita a arte pura, sua função social, é a arte pela arte.
  20. Mudança de práxis: de uma valor ritual da arte para um valor político. Da arte aurática para a arte técnica.
  21. Reprodutibilidade passa a ser essencial ao próprio valor da arte, isso fica claro com o cinema, expressão da criação da coletividade.
  22. Mudanças entre pólos (ritual e política) está ligada com valor de culto e valor de exposição.
  23. Arte tradicional e aurática: queria ser vista pelos deuses, sacerdotes. Exige recolhimento para ser recebida.
  24. Arte emancipada: é feita para ser exposta e é recebida coletivamente na dispersão.
  25. A fotografia decreta o fim do valor de culto na arte em benefício do valor de exposição.
  26. Fotografia capta o que o olho não consegue, como a sequência de imagens, transmitindo-as a diferentes veículos, rádio, tv, cinema, etc.
  27. A partir do momento em que o homem se retira da fotografia, todo o seu valor de culto se perde. Inicialmente, as fotografias possuíam cunho sentimental. Serviam como objeto de culto a saudade de alguém. Quando elas deixam de retratar as expressões humanas e passam a retratar “paisagens”, como por exemplo as fotos de jornais, o culto se desfalece.
  28. Conceito grego de obra de arte para a eternidade (tinham visão precária da obra de arte, era feita para durar para sempre)= se fragmenta na obra de arte na era técnica
  29. Era da técnica: sugere produtos para a massa
  30. A foto, por exemplo, nos dá a oportunidade da lembrança de momentos passados, gravados no papel, eternizando passagens, assim como as obras gregas marcaram um momento de nossa história.
  31. Cinema e fotografia: esses elementos mudaram o conceito de arte. A invenção da fotografia, por exemplo, muda o próprio conceito de arte.
  32. Para Benjamin, o que faltava nesses dois tipos de expressão era de desvincular da realidade. (o que na verdade nunca conseguiram concretizar).
  33. Cinema e Teste: a obra de arte final é uma série de fragmentos não artísticos filmados separadamente. O artista é obrigado a trabalhar diante de um corpo de especialista, características de um teste.
  34. No cinema os testes tornam-se mostráveis. É a vingança do artista para com a máquina. Esse consegue manter sua dignidade perante a mesma e busca uma identificação por parte dos operários que por ventura venham a assistir os filmes.
  35. O ator cinematográfico exemplifica o homem controlado pelo aparelho. Quando está diante da câmera, ele sabe que está preso às rédeas do capitalismo e submisso a aceitação da massa. O ator de cinema representa a si mesmo e faz com que a massa queira estar sendo representada diante da massa, faz com que os jovens sonhem em aparecer na TV.
  36. Já o ator no teatro interpreta um papel e suas reações vão ser direcionadas conforma a ação do público, que age, transforma.
  37. Exposição perante a massa: comparação entre político e ator de teatro.
  38. Com a evolução dos meios de comunicação, a reprodutibilidade da imagem ou do discurso de um político se fez mais fácil, tornando-o um disseminador e vendedor de ideias e imagens, assim como o interprete teatral. É o exemplo do uso do rádio por Hitler, para consolidar o seu sistema nazista.
  39. Exigência de ser filmado: aqui podemos ver a posição política marxista de Benjamin, ao retratar o cinema russo como modelo na qual as pessoas comuns podem participar do cinema. Este, entretanto, não é um modelo de produção cinematográfica equivalente ao sistema capitalista.
  40. Pintor e cinegrafista: diferença em que ambos retratam a realidade. O primeiro mantém uma certa distância do real, configurando-o de forma reprodutiva ou não. Já o segundo não fica distante, ele se aproxima tanto da realidade, chega tão perto das coisas, que praticamente nos confunde.
  41. Recepção coletiva está condicionada pelo caráter coletivo da reação. Na pintura, desfrutava-se do tradicional, mas criticava o que é novo, sem desfrutá-lo. No cinema, o filme de sucesso é aquele que todos viram e gostaram.
  42. Benjamin vai dizer que a contemplação simultânea de quadros para um grande público é o sintoma precoce da crise da pintura, que não foi definido apelas pela fotografia, mas pelo apelo às obras de arte produzidas para a massa.
  43. Cinema nos abre uma experiência do inconsciente ótico = percebemos, através de recursos das câmeras, manifestações por trás de pequenos gestos.
  44. Benjamin faz uma observação sobre o modo de percepção das massas: afirma que as deformações e transformação que o cinema acarreta no mundo real, fazem com que a percepção coletiva se aproxime ou se aproprie da percepção individual de um psicopata ou de um sonhador.
  45. O cinema tenta dar a ilusão de liberdade àqueles que se sentem aprisionados pelo sistema. E a percepção na formação audiovisual se apropria da percepção da alucinação e cria personagens de sonhos coletivos.
  46. Dadaísmo: procurou reproduzir os efeitos (na literatura e pintura) que o público procura hoje no cinema. Aniquilavam a aura da obra.
  47. Para Benjamin, o nazismo e o fascismo haviam transformado a política e a guerra em espetáculos, principalmente através da divulgação de seus ideais através do cinema e da propaganda. Além disso, manifestações militares, grandes discursos políticos, e etc., visavam mexer com as emoções do grande público. Sendo assim, a reprodutibilidade técnica estava a serviço dos ditadores e da estética de guerra por eles criada.  Essa utilização também foi feita por Stálin, logrando a esperança do autor por uma utilização mais humanizada da arte e uma ascensão socialista.

Boa leitura! 🙂

Walter Benjamin

Walter Benjamin foi um ensaísta, crítico literário, tradutor, filósofo e sociólogo judeu alemão. Associado à Escola de Frankfurt e a Teoria Crítica, foi fortemente influenciado por autores marxistas.

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2 comentários sobre “A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica – Walter Benjamin

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